VISITAS

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

BIBLIOTECAS

Aqui vai um rol de Bibliotecas expressivas no contexto da cultura mundial, que valem ser consultadas e saber que existem.

Existem referências brasileiras, também !!





1.      BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA


2.      BIBLIOTECA DE PERGAMUN
            
             http://www2.luthersem.edu/Ckoester/Revelation/Pergamum/Library.htm


3.      BIBLIOTECA DO REI ASHURBANIPAL  -  NÍNIVE
           
            http://web.utk.edu/~giles/


4.      BIBLIOTECA BRITÂNICA
      
       http://www.bl.uk/


5. BIBLIOTECA DO CONGRESSO  AMERICANO
          
          http://www.loc.gov/index.html


  1. QUEENS LIBRARY


  1. CUYAHOGA COUNTY PUBLIC LIBRARY


  1. BIBLIOTECA CENTRAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RS


  1. OBRAS RARAS E ESPECIAIS DA USP
           http://www.obrasraras.usp.br/




  1. BIBLIOTECA DO SENADO FEDERAL  -  BRASÍLIA



  1. BIBLIOTECA NACIONAL DE PORTUGAL
          http://www.bnportugal.pt/


  1. BIBLIOTECA DIGITAL CELTA
          http://celtdigital.org/


  1. BIBLIOTECA DO CRIME


  1. UNIVERSIDADE DE MINNESOTA
           http://www1.umn.edu/humanrts/


  1. I.D.R.C  » Canadian


  1. PERSEUS DIGITAL  -  UNIVERSIDADE TUFTS


  1. KEIO UNIVERSITY LIBRARY


  1. HARVARD CLASSICS
          http://www.bartleby.com/


 
  1. BIBLIOTECA DEI CLASSI ITALIANI


 
  1. BIBLIOTECA VIRTUAL DO ESTUDANTE BRASILEIRO



 
  1. ARQUIVO DE MACHADO DE ASSIS  -  CONTOS


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

GONÇALVES DIAS - 188 ANOS



GONÇALVES DIAS


Antonio Gonçalves Dias, nasceu em 12 de Agosto de 1823, em Caxias, Maranhão e morreu em 03 de Novembro de 1864, durante o naufrágio do navio Ville de Boulogne,  perto da Vila de Guimarães, na costa do Maranhão.
Morreu aos 41 anos.


Musa inspiradora:  Ana Amélia

Gonçalves Dias faz parte da Primeira Geração do Romantismo brasileiro  -  poesia  -  também conhecida como Geração Nacionalista, cujas características são a exaltação da natureza, principalmente na figura do índio, a quem é imcumbida a figura do herói, muito sentimentalismo e religiosidade.


OBRAS:

" Canção do Exílio "   -   1843
" Patkull "   -   1843
" Primeiros Cantos "   -   1846
" Meditação "   -   1846
" O Brasil e Oceania "   -   1846
" Seus Olhos "   -   1846
" Segundos Cantos "   -   1848
" Sextilhas de Frei Antão "   -   1848
" I-Juca-Pirama "   -   1851
" Os Timbiras "   -   1857
" Dicionário da Língua Tupi "   -   1858
" Segura o Índio Louca "   -   1859  


Canção do Exílio
"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá."
 

terça-feira, 9 de agosto de 2011

49 ANOS SEM HERMANN HESSEE




HERMANN HESSE


Nasceu em 02 de Julho de 1877 em Calw bei Stuttgart, Alemanha e morreu em 09 de Agosto de 1962 em Montagnola, Suíça.
Morreu aos 85 anos.

Prêmio Nobel de Literatura de 1.946

Sempre mostrou-se avesso à burguesia e ao dinamismo enfadonho da sociedade convencional.
Naturalizou-se suíço e buscou tranquilidade na Índia.

OBRAS:

" Poemas "  -  1902
" Peter Carnenzin "  -  1904    »   seu primeiro grande sucesso.
" Gertrud "  -  1910
" Rosshalde "  -  1913
" Knulp "  -  1915
" Dernian "  -  1919  »  grande influência de Carl Gustav Jung
" Sidarta "  -  1922
" O Lobo da Estepe "  -  1927
" Narciso e Godmund "  -  1930
" O Jogo das Contas de Vidro "  -  1943


CITAÇÕES DE HESSE

"  ... ler um livro é bom para o leitor conhecer a pessoa e o modo de pensar de alguém que lhe é estranho. É procurar compreendê-lo e, sempre que possível, fazer dele um amigo ...  "

"  ... não existe nada tão mau, selvagem e cruel, na natureza, quanto os homens normais ...  "

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

HEINRICH HEINE

Christian Johann HEINRICH HEINE, nascido em Düsseldorf, Alemanha, em 13 de Dezembro de 1797 e falecido em Paris, França em 17 de Fevereiro de 1856.
Viveu 58 anos.



 
Expressivo poeta do romantismo alemão, teve boa parte de suas obras, principalmente as poesias líricas, musicadas por grandes compositores como, Robert SCHUMANN, Franz SCHUBERT, Felix MENDELSSON, BRAHMS e Richard WAGNER.

Poesia:

" Estrelas, lua, sol e flor,
  Dois olhos lindos e canções de amor,
  Por mais que nos comovam lá no fundo,
  Não mudam uma vírgula no mundo.

terça-feira, 28 de junho de 2011


TÍTULO PRÓPRIO:  “ Agreste “
Título da Obra:    “ São Bernardo



Autor:     Graciliano Ramos

Origem da literatura:    Brasileira

Editora, Data da publicação, Páginas:    Ed. Record, 1996,  191 páginas.

Descrição da estrutura:   Obra escrita em 36 capítulos num total de 191 páginas. 



Personagens:   Paulo Honório, Madalena ( professora e esposa ), Azevedo Gondim ( diretor do Cruzeiro ), Padre Silvestre, Cassimiro Lopes ( capanga ), Luis Padilha ( ex-dono de São Bernardo e professor da escola ), Dr. Nogueira ( advogado ), Major Ribeiro ( guarda-livros ), Dona Glória ( tia e mãe de Madalena ), Velha Margarida,  Maria das Dores, Marciano e Rosa ( empregados ), Dr. Magalhães ( Juiz de Direito ), Mendonça e Alexandrina ( donos da Fazenda Bonsucesso ), Tubarão ( cão de guarda ).


Obra:     Graciliano Ramos é autor de duas obras-primas.
Aqueles que partem do nordeste vitimados pela tragédia da seca impiedosa, servem de material para “ Vidas Secas “ e aqueles que ficam e se confundem com a rudeza da seca, servem de material para “ São Bernardo “.
São Bernardo mostra a trajetória de Paulo Honório, um homem muito simples ( pouco conformado ), que demonstrava uma ambição comparável à impiedade da seca que assola o árido sertão alagoano. Queria vencer na vida, naquele ambiente, a qualquer custo.
Essa determinação de Paulo Honório, que num primeiro momento é louvável, passa a ser o seu algoz sem que ele percebesse.
Pode-se notar uma transição amarga que se inicia na determinação e obstinação de Honório, passando por uma ambição sem limites, que termina em ganância solitária.
A saga de Paulo Honório parte de uma infância miserável, passa por um período de três anos, nove meses e quinze dias de cadeia, por ter cometido homicídio ( por nenhuma coisa ).
A partir daí começa a ser construído um homem rude e egoísta, de caráter maciço e violento, tendo um objetivo que beira à obsessão: apoderar-se da Fazenda São Bernardo.
Age como um rolo compressor e consegue, por fim, ter as tão sonhadas terras e transforma-se num grande fazendeiro do sertão alagoano.
Percebe, assim, que tudo pode, que as dificuldades cedem sob sua força e o mundo se curva às suas vontades. Desaprendeu o que é não poder.
Seus métodos tornam-se cada vez mais desumanos; trata os seus subordinados como coisas; usa meios perversos de dizer, fazer e conseguir o que quer; conhece bem todos os meios para isso e não pensa sobre eles: aplica-os!
Chega, então, o momento de adquirir outra propriedade, que lhe proporcionasse um herdeiro, não um filho, apenas um herdeiro e para isso precisava ter uma mulher.
Decidiu ter Madalena. Moça distinta, educada, sensível, com boa formação, logo passou a ter uma ótica humanitária em relação às necessidades básicas dos empregados e, para Paulo Honório, o pior de tudo é que ela era capaz de amar e ter amizades. Considerava isso tudo uma bobagem!
Em sua escalada de poder, poder vazio, na vida rudimentar de Paulo Honório, não havia espaço para amor ou amizade, por isso tenta a qualquer custo anular Madalena através do seu autoritarismo.
Um triste episódio faz com que Paulo Honório, pela primeira vez, perca o comando.

Madalena morre.

A partir daí, um a um vai deixando São Bernardo pelos mais diversos motivos. O fato é que não havia motivo que sensibilizasse as pessoas a ficarem. Nenhuma sombra de carinho ou consideração restava.
O tempo passa a ser o algoz de Honório e faz com que ele, imerso numa solidão implacável, não consiga fugir de si mesmo. Ele é o que lhe resta. Queira ou não.
O ruidoso silêncio trazido pela solidão esvazia de vez a barbárie da ganância e do egoísmo, marca registrada do fazendeiro.   


Opinião:  Esse romance é típico do modernismo regionalista que tem como maior expoente Graciliano Ramos.
Não é difícil identificar características marcantes, como a objetividade das descrições, o jeito prático e pouco descritivo para desnudar o personagem.
Paulo Honório é um retrato bem definido do ambiente em que se propõe a viver e prosperar.            Tosco, rude, amargo, agreste, ingrato, desrespeitoso. Um selvagem.
Tomado pela volúpia de crescer e prosperar a qualquer custo. Atropela qualquer um.
Lança mão até de força física para ser respeitado.
Parece fazer questão de esquecer de onde veio e faz seu sucesso brotar às custas de pessoas que tiveram origem semelhante à sua. Isso sua memória omite.  Memória seletiva.
Um exemplo de como não devemos ser.
Ambição desmedida, ingratidão, oportunismo, valoriza a posse, o poder, o status perante um grupo de ninguém. Não preza o simples. Não preza o fraterno. Não preza o solidário.
Não preza a amizade.


Citações de “  São Bernardo  “:

“ ... e o pequeno que ali está chorando necessita quem o encaminhe e lhe ensine as regras de bem viver ... “

“ ... como havia agora liberdade excessiva, a autoridade dele foi minguando, até desaparecer ... “

“ ... essa gente quase nunca morre direito. Uns são levados pela cobra, outros pela cachaça, outros matam-se; na pedreira perdi um. A alavanca soltou-se da pedra , bateu-lhe no peito, e foi a conta. Deixou viúva e órfãos miúdos. Sumiram-se: um dos meninos caiu no fogo, as lombrigas comeram o segundo, o último teve angina e a mulher enforcou-se ... “

“ ...  --- O senhor acredita nisso?  Perguntou João Nogueira.
        --- Em quê?
       --- Eleições, deputados, senadores ... “



O AUTOR:   GRACILIANO RAMOS





Data da resenha:   28 de Junho de 2011.   

Autor da resenha:     Márcio A. S. Ferraz

Local:     Alameda das Paineiras, 60   -   Itapevi – S.P

segunda-feira, 27 de junho de 2011


TÍTULO PRÓPRIO:     “ O ontem e o amanhã “

Título da Obra:    “ O Presidente Negro “


Autor:  Monteiro Lobato

Origem da literatura:   Brasileira   

Editora, Data da publicação, Páginas:   Ed. Globo, 2008,  202 páginas.  

Descrição da estrutura:    Obra dividida em 25 capítulos, num total de 202 páginas.




Personagens:   Ayrton Lobo ( funcionário da firma Sá, Pato & Cia ), Prof. Benson, o sábio,  Miss Jane ( filha de Benson ), Kerlog ( ocandidato branco ),  Evelyn Astor ( a feminista ) e Jim Roy ( o candidato negro ).   

Obra:    Uma fábula futurista. Livro escrito em 1926, já no período do Modernismo, ainda num Brasil agrário. Os personagens do livro são mantidos na década de 1920 e através de um aparelho chamado porviroscópio, inventado pelo sábio e cientista Prof. Benson, conseguem acompanhar através de uma tela o que ocorrerá em certa data e local selecionados pelo usuário, havendo previsão de desvendar o futuro até o ano de 3.527.
Quem visualiza e descreve as ações futuras é a filha de Benson, Miss Jane.
Ainda em 1926, Monteiro Lobato, através dessa obra, prevê alguns aspectos da tecnologia, como as ondas de rádio, a modernidade do sistema de votação com eleições rápidas e votos enviados à distância, jornais diários e noticiário eletrônico em tempo real e o trabalho à distância, onde o homem não teria necessidade de se deslocar, realizando suas tarefas diretamente em casa. Essas seriam previsões viáveis, comprovadas pelo tempo.
Outras eram fantasiosas, como o desdobramento do homem, ou seja, seria possível ouvir coisas distintas com cada ouvido e enxergar outras com cada olho, simultaneamente.
Lobato também aborda aspectos raciais como a cisão da América entre brancos e negros já evidenciando as mazelas que a escravidão causaria na cultura americana.
A referência do imaginário de futuro mostra a extrema criatividade de Lobato e porque não um senso crítico que se mistura com posicionamentos pouco aceitáveis, ainda hoje.
Sugeria que tanto os crimes quanto a pobreza tinham origem racial e por isso se propunha a aplicação da eugenia, a purificação da raça como solução.
Dessa forma, haveria um controle rigoroso imposto pelo Estado, através do planejamento familiar para que a pureza da raça permanecesse incólume e também, seria necessária a eliminação de prostitutas, pervertidos sexuais e deficientes que deveriam ser eliminados já no nascimento para que não contaminassem a espécie.
O principal ponto desse romance é a questão da dinâmica social norte-americana, que é exposta através de um processo de disputa eleitoral para a presidência da República a ser disputada no ano de 2228, entre um candidato conservador branco, uma mulher e um candidato negro. Semelhanças para com 2008. McCain, Hilary e Obama !!!
Ao final desse processo vence o candidato negro Jim Roy. Vence mas não assume seu lugar.
No dia da posse, é encontrado morto em seu gabinete.
Por fim, Ayrton Lobo consegue conquistar Miss Jane. Essa intenção passa velada durante todo o desenrolar do romance e se manifesta de forma positiva no último capítulo.

Opinião:  Além de ser muito interessante notar como, em 1926, Lobato pode vislumbrar diversas conquistas e modificações que de fato hoje nos cercam, principalmente no que diz respeito à questão tecnológica. De fato é muito curioso observar sua capacidade singular de antever o futuro.
Talvez a maior importância, quando se reflete acerca do conteúdo da obra, seja a abordagem da questão racial e sexual.
Talvez Lobato tenha tentado nos alertar de como temos sido, ainda hoje, primitivos ao lidar com essas questões, ou melhor, ao não sabermos lidar com questões tão menores, como ater-se a qual raça ou sexo é melhor, qual deve prevalecer em cada área específica da sociedade, qual raça deve ser privilegiada por quotas em universidades e toda ordem de divisão e compensação social sempre se baseando no prejudicado pela condição da raça ou sexo.
Nesses casos não há avanço cultural ou tecnológico que faça com que o homem, tanto  de 1926 quanto de 2011, deixe se apegar a meras trivialidades.

Citações de “ O Presidente Negro “:

“ ... o número de divórcios, ao contrário, diminuiu como nunca se esperou. E diminuiu
em virtude da única imposição que a lei fazia a esses contratos: as férias conjugais
obrigatórias ... “

“ ... muito cedo chegou o americano à conclusão de que os males do mundo vinham dos
três pesos mortos que sobrecarregavam a sociedade – o vadio, o doente e o pobre ... “



                                           O Autor:  Monteiro Lobato

Data da resenha:   27 de Junho de 2011    

Autor da resenha:     Márcio A. S. Ferraz

Local:     Alameda das Paineiras, 60   -   Itapevi – S.P

domingo, 26 de junho de 2011

TÍTULO PRÓPRIO:     “ O Visionário “

Título da Obra:    “ Triste Fim de Policarpo Quaresma “


Autor:  Lima Barreto

Origem da literatura:   Brasileira ( Pré- Modernismo ).

Editora, Data da publicação, Páginas:  Ed. MEDIAfashion,  2008,  255 páginas.   

Descrição da estrutura:  Obra dividida em 3 partes, cada parte com 5 capítulos, num total de 255 páginas.


Personagens:  Major Policarpo Quaresma, Adelaide ( irmã de Quaresma ), Ricardo Coração dos Outros ( seresteiro ), Olga ( afilhada de Quaresma ), Gal.Albernaz,Genelício, Almirante Caldas, Cel. Bustamante, Ismênia ( filha do Gal. Albernaz ), Presidente Marechal Floriano Peixoto. 

Obra:  Policarpo Quaresma é um funcionário público, subsecretário do Arsenal de Guerra, morador do bairro de São Januário, cidade do Rio de Janeiro, que leva a vida de forma tão burocrática quanto o exercício do seu trabalho.
Indivíduo ultra-nacionalista que defende toda e qualquer causa nacional de forma exuberante e apaixonada.
Esse livro tem como pano de fundo uma visão inconformada de Lima Barreto com a sociedade suburbana carioca, que é tida como presunçosa e parasitária, além de expor o dinamismo da situação política do Brasil, mais especificamente a recém proclamada República, com toda sua instabilidade de primeiros tempos.
Nitidamente consegue-se identificar o livro em três partes características.
A primeira parte identifica o burocrata exemplar, estudioso das coisas do Brasil, do folclore, de geografia local, cultura brasileira, enfim, considerava que o Brasil poderia tornar-se melhor através do conhecimento profundo de suas verdadeiras raízes, de suas verdadeiras riquezas.
Nessa fase comete alguns excessos como, por exemplo, propor ao Congresso Nacional que estabeleça o tupi-guarani como nosso idioma oficial. Fato esse que o expôs de talforma de todos passam a ridicularizá-lo. O auge desses deslumbres acontece quando envia, sem intenção, um ofício a um superior do Arsenal de Guerra, escrito em tupi- guarani.
O resultado desse deslize foi a internação em uma clínica psiquiátrica e mais adiante sua aposentadoria por invalidez.
Esses eventos levam ao início da segunda parte do livro, surgindo um Quaresma desiludido e inconformado com as incompreensões tanto em sua própria casa quanto na repartição. Resolve morar no campo e dedicar-se ao conhecimento da agricultura e das questões agrárias a serem remodeladas no Brasil de início de século. Compra um sítio em Curuzu, interior do Rio de Janeiro, chamado Sossego.
Através dos estudos, empenha-se na reforma da agricultura brasileira e no combate às vorazes saúvas. No entanto, mais uma vez, mantém-se distante da realidade e pouco eficaz em seus legítimos propósitos, sendo derrotado pelo clientelismo e fraudes políticas repetidas e pelo exército de saúvas que atacavam seus plantios de milho e feijão.
A obra culmina com a terceira parte, onde há uma exacerbação à sátira política.
Quaresma, ainda no seu sítio Sossego, fica sabendo da revolta da Marinha contra o presidente Marechal Floriano Peixoto, a Revolta da Armada e decide deixar a batalha rural e alista-se para o combate em defesa de Floriano.
O tempo passa e após quatro meses de batalha, Quaresma passa a questionar se valeria a pena abandonar a tranquilidade do lar e arriscar-se por uma causa duvidosa e por um governante, que cada vez mais se mostrava pouco afeito às legítimas causas em defesa da transparência e valorização do Brasil puramente nacional.
Ao término da revolta, é designado com carcereiro na ilha das Enxadas, onde presencia uma ação injusta e arbitrária por parte de um membro do governo, que escolhe sem critérios indivíduos para serem executados.
Policarpo, indignado, escreve uma carta a Floriano, descrevendo e denunciando a atrocidade que havia presenciado, por um membro do seu governo.
O resultado foi trágico. Quaresma foi interpretado como um traidor e levado à ilha das Cobras, sendo condenado à morte.
Esse, o triste fim do Major Quaresma.


Opinião:  A obra, inicialmente, aborda o nacionalismo que talvez fosse necessárioa cada indivíduo para que houvesse um alicerce de transformação consistente na já deformada sociedade brasileira.
Consegue-se perceber a força que os interesses e propósitos alheios ao bem-estar geral tem e como é difícil se contrapor a essa rotina costumeira, vista com muita clareza na sociedade de hoje, início de século novo.
O idealismo e a atuação impositiva que se confronta com interesses contrários pode gerar conseqüências pouco agradáveis. Difícil lutar, por mais digna que seja a causa,contra o poder público, contra o poder da arbitrariedade, contra o poder militar, contra o interesse e desvio de dignidade gerado pela força do dinheiro.
A analogia de Quaresma com Dom Quixote é sim pertinente.
O que comove é o despertar de Quaresma.
Foi, sua vida toda, um visionário. No momento em que se vê condenado à morte por ter se dedicado à pátria e ter se dedicado à correção de comportamento, busca qual o saldo prático de sua vida.
Surgem conflitos esmagadores. Vida sem conteúdo, sem produção efetiva, sem construção, sem partilha, sem doação a outra pessoa ou a qualquer outra causa nobre que gerasse resultado.
Policarpo chega à beira da morte com uma vida, em termos de resultados práticos, vazia e não deixando um legado a ser seguido.
Por isso, um triste fim.

Citações de “ Triste Fim de Policarpo Quaresma “:

“ ... não é só a morte que nivela: a loucura, o crime e a moléstia passam também a sua rasoura pelas distinções que inventamos ... “
“ ... a morte tem a virtude de ser brusca, de chocar, mas não corroer, como essas moléstias duradouras nas pessoas amadas; passado que é o choque, vai ficando em nós uma suave recordação de ente querido, uma boa fisionomia sempre presente aos nossos olhos ... “



  O Autor:  Lima Barreto



Data da resenha:     26 de Junho de 2011  

Autor da resenha:     Márcio A. S. Ferraz

Local:     Alameda das Paineiras, 60   -   Itapevi – S.P


sábado, 11 de junho de 2011

TÍTULO PRÓPRIO:  “ O Sopro da Vontade “  

Título da Obra:    “ Prometeu Acorrentado “

Autor:   Ésquilo

Origem da literatura:   Grega   

Editora, Data da publicação, Páginas:   Ed. Abril, 1980,
38 páginas.  

Descrição da estrutura:  Peça de teatro.  

Personagens:  o Poder,  Hefesto ( Vulcano ),  a Força,  Prometeu,  Oceano,  Io ( filha de Ínaco) ,  Hermes ( Mercúrio ),  Zeus ( Júpiter ) e o coro das Oceânidas.   

Obra:  Um preâmbulo se faz necessário antes de iniciarmos a descrição da obra.
Cronos, o deus dos deuses é avisado que perderá o trono para um de seus filhos e, dessa forma passa a devorá-los, um a um. No entanto, o filho mais novo, Zeus ( Júpiter ) consegue sobreviver.
O tempo passa e Zeus cumprirá seu destino, iniciando uma incansável luta contra seu pai  tendo como colaborador, o deus Prometeu. Conseguem, juntos, aprisionar Cronos nos montes do Cáucaso.
Dessa forma, Zeus torna-se o senhor absoluto do Olimpo e resolve colocar em prática um plano antigo, que é aniquilar a humanidade, por ele há muito odiada. Fato é que, ao saber, Prometeu o desaconselha, mas Zeus o ignora.
Indignado com a prepotência e tirania de Zeus, Prometeu rouba-lhe o fogo e entrega aos humanos, dando-lhes dessa forma, acesso às ciências, à matemática, às letras e os ensina a se tornarem senhores da natureza.
Essa conduta precipitou a ira de Zeus, que ordena que Hefesto ( Vulcano ) acorrente Prometeu a um rochedo de modo que jamais possa se soltar.

A obra inicia-se a partir desse momento, com Hefesto preparando-se para acorrentar Prometeu, seu próprio irmão. O deus ferreiro não consegue executar a ordem de Zeus por vacilar, por ser acometido por enorme dúvida acerca da correção daquele ato. Houve então a interferência do Poder e da Força que obrigam  Hefesto a cumprir a determinação do soberano. Assim se faz.
Prometeu é acorrentado num rochedo e, à noite uma ave de rapina devora seu fígado e durante o dia ele se regenera, castigo esse que deveria ser eterno.
Prometeu é visitado pelo deus Oceano, que lhe traz demonstração de solidariedade e contrariedade à atitude de Zeus.
Em seguida recebe a visita da linda jovem Io ( filha de Ínaco ), por quem Zeus se apaixonou. Essa paixão do soberano trouxe uma série de infortúnios à jovem que fora ferozmente castigada por Hera, mulher de Zeus.
Io foi condenada a viver continuamente perseguida e atacada por um besouro gigante, que fazia com que ela não pudesse se estabelecer em lugar algum. Estava condenada a peregrinar.

Curiosidade:  Durante uma das fases de suas inúmeras peregrinações, Io é orientada por Prometeu que, quando ela atingisse o istmo cimério, ainda em solo europeu, deveria virar-se de costas para esse território e, com o coração cheio de coragem, lançar-se ao mar e atravessar um estreito que ali havia. A travessia desse estreito a faria chegar ao continente chamado Ásia.
Prometeu lhe disse que, sua passagem por esse estreito teria para os homens mortais renome glorioso e depois dela esse lugar passaria a ser conhecido como estreito de Bósforo.

Voltando à peça, Prometeu era o único deus sabedor do destino de Zeus. Era sabedor que o supremo contrairia um casamento, e que esse seria sua perdição e motivador da perda do trono.
Sabendo disso, Zeus ordena que Hermes ( Mercúrio ), vá até o rochedo e exija que Prometeu esclareça quem seria responsável por sua destinada queda.
No entanto, o obstinado Prometeu não sucumbe aos desmandos e tirania do iminente derrotado deus soberano, não se deixando influenciar pelas ameaças transmitidas por Hermes.
Prometeu recebe a manifestação de ameaça de Zeus, através de relâmpagos e trovões sem deixar-se intimidar.


Opinião:  A grande mensagem que se extrai desse texto é a capacidade do indivíduo poder manifestar suas opiniões, poder expressar suas convicções, poder demonstrar suas inquietações e indignações perante toda ordem de arbitrariedades, poder ter o direito de não se manifestar quando melhor lhe convier e poder não se submeter a qualquer tipo de ameaça ou constrangimento, independente de sua liberdade física.
Mostra-se a supremacia do livre pensar, mesmo que acorrentado.
Pode se observar que a passagem entre Prometeu e Hermes ( Mercúrio ) é emblemática, porque nos mostra com muita clareza o prazer que o acorrentado tem de ser mais livre que o servo do poderoso Zeus.
Mais claramente, Prometeu pode tudo. Pode manifestar-se acerca de qualquer assunto, pode calar-se no momento em que preferir, pode exercer a soberania de suas vontades e opiniões a qualquer tempo, porque assim o quis. Decidiu não submeter-se a qualquer desmando arbitrário, sem temer qualquer forma de tortura física.
Não é atingido na plenitude dos seus pensamentos.
Já Hermes, é fisicamente livre mas totalmente prisioneiro dos seus temores e da falta de um comportamento combativo, ou simplesmente fazer valer suas opiniões, sem deixar seus pensamentos serem escravizados por uma tirania de menor inteligência.



O Autor:   Ésquilo













Citações de “ Prometeu Acorrentado  “:
 
“ ... a desconfiança nos amigos é uma prática que nasce com a tirania ... “
“ ... a sabedoria é muito mais fraca que o destino ... “
“ ... não existe mal mais vergonhoso do que a palavra que falta com a verdade ... “
“ ... aos doentes é doce saber por antecipação e com clareza a quota de sofrimento que
ainda os espera ... “
“ ... não há nada que o tempo não ensine em seu decurso ... “


Data da resenha:   11 de Junho de 2011    

Autor da resenha:     Márcio A. S. Ferraz

Local:     Alameda das Paineiras, 60   -   Itapevi – S.P


sexta-feira, 10 de junho de 2011

TÍTULO PRÓPRIO:     “ Risco “

Título da Obra:    “ Antígona “


Autor:   Sófocles

Origem da literatura:   Grega  

Editora, Data da publicação, Páginas:    Ed. L&PM Editores, 1999, 90 páginas   

Descrição da estrutura:    Peça de teatro.


Personagens:   Antígona ( filha de Édipo e Jocasta ),  Ismene ( irmã de Antígona ),  Etéocles e Polinice ( irmãos de Antígona ), Corifeu, Creonte ( Rei de Tebas ),  Eurídice    ( esposa de Creonte ), Hemon ( filho de Creonte ),  Tirésias, Guarda real ,  1 e 2ª Mensageiros.

Obra:  Os irmãos de Antígona morrem. O rei Creonte, através de um decreto, determina que Etéocles seja sepultado de forma digna por considerá-lo um honroso defensor da pátria, enquanto considerava Polinice um ofensor da pátria e, dessa forma ordena e proíbe seu sepultamento, alegando que merecia ficar à mercê das aves de rapina e dos cães.
Antígona, irmã resolve enfrentar sozinha os desmandos infundados e desmedidos de Creonte. Resolve não mais tolerar a tirania inconseqüente que pairava em Tebas através sombra imposta por Creonte.
O comportamento ultrajante e corajoso de uma mulher naquela época lhe traria sérias conseqüências, mas lhe traria o prazer de agir de acordo com suas convicções, sem medo, tendo ao seu lado a dignidade e a correção de conduta.
Esse mesmo comportamento de confronto perante ao rei, também traria sérias conseqüências à tirania. Seu reinado, de Creonte, passaria por muitos dissabores.
Antígona, desrespeitando o decreto real, sepultou o irmão Polinice. Foi flagrada e levada até o rei. Mesmo comprometida com o filho do rei, Hemon, não teve clemência. Foi condenada à morte, sendo enviada a uma prisão lavrada em rocha para perecer até seus últimos dias.
Por esse ato, Creonte foi alertado pelo adivinho Tirésias, que sua vida seria acometida por uma série de desgraças. Também fora alertado por Corifeu e pelo seu filho Hemon.
Sua tirania não ouvia os alertas.
Em dado momento sucumbiu aos apelos. Fora tarde demais !!
Creonte chega à tumba e encontra Antígona enforcada por um fino lenço e depara-se com seu filho Hemon. Este o fita com olhar raivoso e mata-se com uma espada.
Retornando ao reino o segundo mensageiro noticia a Creonte que tua esposa, a mãe do filho morto está, da mesma forma, morta.
Eis o desfecho provocado pela coragem e ousadia de Antígona em discordar da tirania de um indivíduo.

Opinião:  Algumas lições podem ser aprendidas com a obra. Sua antiguidade nos traz
para o pensamento de como é também contemporânea.
Podemos nos deparar com as conseqüências que os desmandos acarretam a partir do momento em que se perde a capacidade de ouvir conselhos e refletir sobre a exposição de opiniões contrárias. Paga-se um preço !
Podemos perceber  o quanto a presença do dinheiro pode ser perniciosa se não tivermos a lucidez de estabelecermos com ele uma relação equilibrada e harmoniosa.
Presenciamos também a força que uma pessoa pode ter ( mais precisamente uma mulher ), com a simples atitude de fazer valer seus princípios de dignidade e respeito
em relação a outro indivíduo, mesmo que contrariando normas tirânicas descabidas que poderiam colocar em risco sua própria integridade física.




                                                                      
                                                                   O Autor:   Sófocles






Citações de “ Antígona “:  

 “ ... nenhuma instituição pior que o dinheiro floresceu
entre os homens ... “
“ ... o dinheiro, devasta cidades, arranca homens de suas casas, alicia e seduz corações
virtuosos a praticar ações infames. Leva homens a cometer crimes e os inicia na
impiedade, origem de todo o mal. Mas os que delinqüem subornados terão um dia que
prestar contas de seus atos ... “
“ ...verás que com ganhos ilícitos os que se arruínam superam os que prosperam ... “
“ ... poderá haver chama mais pestilenta que um mau amigo? ... “
 “ ... a arrogância atrai a loucura ... “
“ ... para os homens a falta de conselho é o maior de todos os males ... “
“ ... o silêncio completo parece-me tão grave quanto alarido descontrolado ... “
“ ... a prudência é, em muito, a primeira das venturas ... “
“ ... velhice ensina prudência ... “

Data da resenha:    10 de Junho de 2011

Autor da resenha:     Márcio A. S. Ferraz

Local:     Alameda das Paineiras, 60   -   Itapevi – S.P